Palestra “Esperança como Verbo” marca abertura do ano letivo da Escola Judicial e faz uma reflexão sobre cultura, linguagem e ação coletiva
A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (EJud-16) realizou, nesta sexta-feira (27/2), no Auditório Ari Rocha, na sede do TRT-16, a palestra “Esperança como Verbo”, ministrada pela professora, pesquisadora e crítica cultural Rita Von Hunty. O evento marcou a abertura do ano letivo da Escola Judicial e reuniu magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), terceirizados(as) e público externo.
A abertura foi conduzida pela diretora da EJud-16, desembargadora Márcia Andrea Farias da Silva, que destacou o significado institucional do início das atividades formativas. “Iniciar um ano letivo na Escola Judicial não significa apenas inaugurar cursos e capacitações. Significa, sobretudo, reafirmar que a formação continuada é um dos pilares de uma Justiça do Trabalho mais preparada, mais sensível e mais consciente de seu papel social”, afirmou.
A magistrada também ressaltou que o início do ciclo formativo representa o fortalecimento de valores que orientam a atuação do Tribunal. “Marca, igualmente, a renovação do nosso compromisso com o conhecimento, com a sensibilidade institucional e com a valorização das pessoas, pilares que orientam o planejamento estratégico deste Regional”, completou.
Em sua palestra, Rita Von Hunty propôs uma reflexão sobre o papel da cultura e da linguagem na construção da realidade social, destacando que os significados atribuídos às palavras são resultados de processos históricos e disputas simbólicas. “A cultura não é apenas arte ou expressão, mas o tecido da vida, resultado das disputas entre grupos em momentos históricos”, afirmou.
A palestrante ressaltou também que a linguagem não é neutra e carrega marcas de relações de poder, influenciando percepções, comportamentos e estruturas sociais. Segundo ela, “compreender esse processo é fundamental para desenvolver consciência crítica e ampliar as possibilidades de transformação social”, considerou.
Ao abordar o tema central da palestra, Rita destacou que a esperança deve ser entendida não como um sentimento passivo, mas como um princípio ativo, capaz de impulsionar ações concretas. “A esperança é um afeto, e dos afetos dependem os efeitos. É ela que move o ser humano a agir, a disputar sentidos e a construir novos caminhos”, explicou.
A professora também enfatizou a importância de questionar o senso comum e analisar criticamente as narrativas dominantes. Para ela, a compreensão histórica e cultural dos fenômenos sociais permite identificar mecanismos de dominação e fortalece a capacidade de intervenção consciente na realidade. “Toda vez que se acredita que nada pode ser feito, alguém se beneficia dessa desistência. A esperança, como verbo, é ação, é compromisso com o presente e com o futuro”, afirmou.
A palestrante trouxe ainda contribuições do filósofo Baruch Spinoza para explicar a esperança como um afeto ligado ao impulso vital humano e à capacidade de agir. Nessa perspectiva, os afetos influenciam diretamente a forma como as pessoas respondem aos desafios e constroem possibilidades de transformação.
A atividade integrou a programação pedagógica da Escola Judicial, que tem como objetivo promover formação continuada, estimular o pensamento crítico e contribuir para o aprimoramento institucional e o fortalecimento dos valores que orientam a Justiça do Trabalho.
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Autoridades presentes
Também prestigiaram o evento o presidente do TRT-16, desembargador José Evandro de Souza; o vice-diretor da EJud-16, desembargador Luiz Cosmo da Silva Júnior; a desembargadora Solange Cristina Passos de Castro; a juíza auxiliar da Presidência, Ângela Cristina Carvalho Mota Luna; a vice-coordenadora pedagógica da Escola Judicial, juíza Tália Hortegal; a presidente da Associação dos Magistrados Trabalhistas da 16ª Região (AMATRA XVI), juíza Maria do Socorro Almeida; juízes titulares e substitutos de Varas do Trabalho da Capital e do interior; além de servidores(as), terceirizados(as) e estagiários(as) do TRT-16; assim como representantes da sociedade civil.
Escola Judicial
Além da diretora, desembargadora Márcia Andrea Farias da Silva, do coordenador pedagógico, juiz Sergei Becker, e da vice-coordenadora pedagógica, juíza Tália Hortegal, integram a equipe EJud-16 as servidoras Silvia Castro, Luana Maciel, Áurea Marques e Amanda Silva, além dos servidores Francisco de Assis e Gustavo Napoleão, e do estagiário Rodrigo Santos.
